Barry: Lições Sobre a vida e o Teatro


 


Eu sempre procuro novas experiencias para passar meus dias idílicos, traduzindo eu sempre procuro coisa nova pra fazer com o meu tempo. E uma dessas coisas é assitir séries, minhas alternativas haviam se acabado, afinal eu já havia assitido as grandes produções, e as novas sensações do mercado não me pareciam atraentes, até que lembrei que durante meu curso de teatro, uma professora me recomendou uma série, uma série de um assasino que toma aulas de atuação, e essa série é Barry.

Então sem nada melhor para fins de escolhas e competição, resolvi começar a assistir essa série, é curta, pois seus epísodios raramente passam dos 30 minutos de duração e apesar da premissa  apresentar um assasino, a série é bem humorada e tem um tom acído e critico na maioria do tempo. A temática lida bastante com o medo e a antideterminação de destino, pois vemos que Barry, o assasino e personagem principal da série, interpretado por Bill Hader se apaixona por atuação e quer deixar sua vida de crime para trás, mas esse é o problema de Barry, ele não consegue, porque também ama o pecado que comete. 

Ele ama tanto atuar, quanto matar, e no meio desses dois amores ele tenta equilibrar sua vida, enquanto dá vida as personagens das peças, ele mata pessoas por dinheiro. Uma coisa interessante e o ponto preciso de discussão da série e o tema da ''Mascara'', no teatro temos mascaras desde sempre. O teatro grego é totalmente estruturado ao redor do uso de mascarás para passar sentimentos ao público, as mascara também esconde o ator, para que ele não julgue o personagem.

Um dos teatrólogos mais proemintentes, Constantin Stanislavisky, dizia  que a missão principal de um ator é transmitir verdade, ser honesto consigo mesmo, para transmitir verdade por meio de sua atuação o ator precisa viver suas lembranças e trazê-las para o momento presente. 

Por exemplo se a cena em questão necessitar transmitir tristeza o ator que irá performa-la deverá se lembrar de momentos tristes de sua vida pessoal e aplica-los ao personagem, assim sucessivamente com todos os outros sentimentos, são sentimentos verdadeiros transmutados em pequenas doses, para conhecimento do público e enrriquecimento das cenas.

Barry demonstra muito bem essa técnica teatral, pois coloca o personagem em situações que ele precisa ser violento fora de seu trabalho como assasino, e mesmo que ele queira fugir disso, ele é obrigado a se revelar aos poucos para seu professor e seus colegas, por meio da sua atuação.

Sem contar que a série, mostra complexidade na relação das suas personagens, são sem dúvidas bem escritas, são colocadas em situações tragicomicas, mas que com o passar das quatro temporadas, escalam pouco a pouco, misturando crime, máfia e arte, a sempre complicada relação mestre e aluno, começa com admiração e termina em paixão e confusão. 

O  principal objetivo de um ator é '' se emprestar'' para viver a vida de outra pessoa, mas para fazer isso ele precisa de oportunidades, outra coisa que a série demonstra bem é uma critica e sátira aos bastidores da fama e como é dificil entrar no meio da atuação só portando um bom trabalho. Há muita hipocresia envolvida no mundo das grandes produções, pessoas sendo usadas e descartadas quase instantaneamente porque não correspondem mais ás modas vigentes do periodo.

Outro ponto interresante que a série toca é sobre a vaidade e o ego do artista. Por meio de Barry e dos demais personagens a série critica o estilo de vida egocentrico de muitos atores que não vivem pela arte, mas pela fama e o dinheiro. Antes do teatro ser um negócio ele era puro entretenimento, agora o que importa é o status primeiro do que uma boa performance, se você tem um papel pequeno, você é um fracasso, além de lidar com seu próprio ego, há também o ego das demais pessoas, na série todos os personagens são egoistas, pois todos buscam o que é melhor para sí, por isso nenhum deles é confiavel, Barry pode ser o vilão mais fácil de ser apontado, pois é o que menos se esconde, mas não é o único.

Isso é um ponto positivo para a série, pois nenhuma pessoa é completamente ininputável de pecados, aliás os últimos epísodios demostram bem que se arrepender nem sempre é o suficiente para a redenção.

A série muda constantemente quem é seu vilão e Barry é um personagem simpatizante, ele quer sair dali, mas não consegue porque o passado nunca esquece, mesmo que tentamos esquecê-lo. O conceito de  mascara é constante na série, na vida precisamos igualmente constantemente usar máscaras socias, todos atuamos, e só nós nos conhecemos pura e verdadeiramente.

Então a frase ''Conhece-te a ti mesmo'', não é inverdade, e se atuar na vida é natural então atuemos, pois ser ou não ser depende de nós, temos a potencia para tudo e para o nada, o que não podemos é não agir, não agir nos nega a natureza e tudo que carrega o nome de ação. 

Viver é atuar, atuar como ser vivente e ativo, errar e atuar é humano, o que não é humano é ser perfeito, o que certamente é uma grande lição que podemos aprender com o teatro e com Barry.   




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